INSTANTES

Se eu pudesse viver novamente minha vida, na próxima,
trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão
perfeita, relaxaria mais. Seria mais tola ainda do que
tenho sido. Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênica, correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,
nadaria mais rios. Iria a lugares onde nunca fui, tomaria
mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e
menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e
produtivamente cada minuto da vida: claro que tive momentos
de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter
somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feita
a vida, só de momentos; não perca o agora.

Eu era uma dessas
que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de
água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse
a viver viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalça no
começo da primavera e continuaria assim até o fim do
outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais
amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra
vida pela frente.

(Poema de Nadine Stair atribuído a Jorge Luís Borges)

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